domingo, 5 de junho de 2016

Resenha: Megadeth - Dystopia


15º Álbum de Estúdio do Megadeth
Lançamento: 22 de Janeiro, 2016
Gênero: Thrash Metal 

 Atenção: Este é um review bem detalhado, portanto, para melhor aproveitamento, recomendo que escutem o CD previamente.

O Megadeth tem fama de ser um pouco instável quanto a qualidade de seus CDs, e eu sempre achei isso um pouco discutível. Alguns CDs são simplesmente taxados como ruins e ignorados, como o The System Has Failed e o Cryptic Writings, mesmo contendo muita coisa boa. Também tem o incidente Risk, mas o próprio nome dizia que o álbum era um risco de ir numa direção diferente. Deu errado (muito errado em algumas partes), mas ok, eu respeito a exploração musical de um artista.
Recentemente, quando eu achava que a banda estava em uma ótima e promissora fase, vindo de dois CDs fantásticos (Endgame e Thirteen), a merda acertou o ventilador em cheio.

Supercollider, o que foi isso? Ainda não consegui digerir.

Porém, não estamos aqui pra falar do passado. A presença do nosso coterrâneo Kiko Loureiro (Angra) na guitarra, e de Chris Adler (Lamb of God) na bateria, deu novos ares a banda. Será que foi o suficiente para sair do super buraco em que ela entrou?

Para começar, eu gosto da temática do CD. É uma coisa que combina com Megadeth, que gosta muito de criticar o governo. O álbum fala de uma distopia, talvez nosso futuro cenário global se nada mudar. Dessa vez não temos temáticas genéricas que se relacionam estupidamente com as músicas…  “On the high road, I will take you higher, till this world explodes, just like a super collider”... Pois é. A parte visual ficou bem interessante e marcante. Ponto para eles.

Vamos as músicas:

1 - The Threat Is Real

Logo de cara, percebemos influências orientais na abertura, pelo estilo de batida e cântico. Dá um clima bem interessante, diferente, surpreend... BOOOOOM, O riff explode na sua cara se juntando ao agudo da cantora, tornando a combinação magnífica. As citadas influências continuam a aparecer de forma sutil, mas o tom da letra é de crítica.

Depois de um excelente solo inicial, os versos entram e mudam um pouco a música, a deixando mais simples e monotônica. O refrão é ok, e a entrada para o solo ficou um pouco estilo Hangar 18, o que é bom, mas achei a parte inicial do solo um pouco genérica, destoando do clima geral da música. O final poderia ter sido um pouco menos enrolado e acabar sem a última nota, porque ela deu uma cortada no clima.

2 - Dystopia
Logo na primeira nota eu sabia que essa seria uma das ótimas do Megadeth. A intro acerta todas as notas que precisa, o verso mantém o nível com louvor. O refrão é bem incomum, com uma palavra só, mas a dinâmica do canto com os sensacionais solos de guitarra ficou fenomenal.
Porém, Logo depois do segundo solo tem um breakdown bem estranho e um pouco repetitivo, que tira bastante o clima ótimo que a música tinha até então, e a impede de atingir o nível que tinha tudo para ter.

3 - Fatal Illusion
O que dizer dessa intro? Ela tem uma mistura de estilos bem incomum, com frases de guitarra bem leves, estilo Hard Rock, por cima de um riff bem pesado e denso. Interessante, mas difícil se acostumar com a idéia. Para nossa sorte, o baixo entra e coloca ordem na casa. A estrofe é um pouco genérica, mas o primeiro solo é bom. Um pouco depois disso ocorre uma mudança bem grande na música, e uma parte que me lembrou Black Friday ficou legal. Mas no geral, uma música bem bagunçada.

Good Mourning... Black Friday

4 - Death From Within
Intro com um efeito interessante, faz um ótimo trabalho de enfatizar a entrada dos versos. O bom nível da música se mantém, e não tenho muito o que reclamar do refrão, a não ser que o coro de fundo fica um pouco estranho as vezes. A música tem um ótimo solo, muito bem feito.

5 - Bullet To The Brain
Boa intro acústica, os tambores dão um bom clima, e logo entra um ótimo e pesado riff, seguido de bons versos. Depois disso as coisas ficam um pouco... estranhas. Não gosto nem um pouco da primeira parte do refrão, com os gritos de fundo seguindo o vocal. Parece que foi colocado para que as pessoas acompanhassem no show, mas achei muito mal encaixado e destoante do resto. A segunda parte volta a ser mais interessante, e os solos são de qualidade como o esperado.

6 - Post American World
Se a distopia está em algum lugar do Álbum, chegamos nela. Peso instrumental e críticas sociais. Ótimos versos e refrão, só tenho uma reclamação: Precisava rimar "American World" com... "American World"? Really? Não tinha nada melhor? Breakdown muito bem feito, que leva a um solo bem interessante. Final certeiro, mantendo um bom clima.

7 - Poisonous Shadows
Limpo... Distorção... Perfeita mistura entre os dois. Ótimo solo inicial, ótimo clima estabelecido pela música no geral. Os pequenos detalhes, como instrumentos diferentes, sinos e canticos fazem toda a diferença. E o verso mantém o feeling inicial, levando a um refrão que extrapola exatamente o necessário para manter a dinâmica. Excelente trabalho, demonstra muito bem os pontos fortes da banda, nem preciso falar dos ótimos solos né? A mistura final de refrão, ecos e solos ficou irada. E um piano no final para manter o impacto. Excelente.

8 - Conquer or Die
Pega o nível no alto e mantém lá. Meu deus, que intro fantástica!!! Violão clássico aprovado, e complementado extremamente bem pelo peso e solos que seguem. Não tem mais o que falar, só aproveitar essa maravilha...

9 - Lying In State
Tem como não fazer headbang? Impossível. Ótimos versos, refrão e solos. Isso é Megadeth.

"Isso é Megadeth"

10 - The Emperor
Depois desse ótimo segmento do CD, somos saudados por um velhinho nos chamando, estranho... e imediatamente entramos em um bom riff. Os versos mostram claramente que a pegada dessa música é diferente das anteriores, mais engraçada e descontraída, o que combina com a temática inusitada, o conto das roupas do imperador. A ponte é bem interessante, e o estilo único do refrão acaba te conquistando. Solos bons sempre. Menção honrosa para o "Waaaaaw".

11 - Foreign Policy
Eu diria que essa música é uma tentativa da banda de fazer uma musica Punk. Mas na verdade é um cover de uma música punk, da banda Fear. Achei o refrão bem chato, até irritante. E nem é um bom cover, prefiro o estilo da original de longe.

Músicas Bônus:

Melt The Ice Away (Spotify)
Um cover divertido, da banda de Hard Rock Budgie. Ficou uma boa adaptação para o estilo Megadeth sem perder a essência da música original.

"Estilo Megadeth"

Look Who is Talking (iTunes & Best Buy)
Intro e versos beeem pouco inspirados. Eu ouvi latidos em certo ponto, é isso mesmo? Surpreendentemente gostei bastante do Refrão, e o solo é bom como sempre. Mas infelizmente, o final da música volta a ser bem pouco marcante.

Last Dying Wish (iTunes & Best Buy)
Qual é a da voz de anunciante de mundo pós apocalíptico? Fica interessante em alguns casos, temos Endgame como exemplo, mas achei que foi usado excessivamente nessa música. O instrumental deu uma salvada, mas no geral, da pra entender porque essa música não foi parar no CD principal.

Se fosse tão boa quanto essa, estaria no título do CD, mas...

Me Hate You (Edição Japonesa)
Além de chamar atenção pelo aparente erro gramatical do título (que fica certo quando olhado no contexto da letra, que diz "Make me hate you"), essa música tinha potencial para ser boa, mas precisaria ser mais trabalhada. As melodias ficaram bem fracas, principalmente no refrão.


No geral, eu separaria o álbum em 3 partes:
As músicas que conseguem dar o tom perfeito, e realmente constroem o Dystopia.
As músicas que tentam manter o nível, mas apresentam algumas imperfeições.
Finalmente, as músicas bônus (incluo Foreign Policy nessa), que não fazem verdadeiramente parte da experiência, só estão aí porque precisava ter alguma coisa a mais.


Dystopia é um ótimo CD, e apesar de seus defeitos, consegue ter impacto suficiente para ser um boa adição perante a ótima discografia da banda. Eu questiono a inclusão das duas últimas músicas, pois elas destoam do clima geral e dão um fechamento ruim para o Álbum. No final das contas, o CD torna evidente que a banda está no caminho certo, e que podemos esperar mais musicas de qualidade com a nova formação. 4/5.

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